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Crédito Colateral - a Força da Especulação!

Aug 16
3 min read

O crédito é uma excelente forma de gerar retornos acima da média.


É uma ferramenta de há muito tempo, mas que desde o fim da 1ª guerra mundial (1918) passou a ser usada para tudo, especialmente nos Estados Unidos.


Casas, carros, mas também, eletrodomésticos e serviços.

Compre agora, pague depois!

Algo muito comum nos dias de hoje. Talvez ainda mais usado!

Um exemplo bastante banal é o de pagamento em 3 prestações sem juros. Já o fiz pessoalmente algumas vezes.


Mas, uma outra inovação do crédito que ficou popular nos anos 20 dos EUA foi a do crédito colateralizado para comprar ações!


É fácil de entender com um exemplo:


Compro ações da XYZ no banco A no valor de 10.000€.

Acredito que as ações desta empresa irão subir num futuro próximo, mas como já não tenho mais liquidez (dinheiro disponível) para comprar mais, a partir dos anos 20, posso pedir ao banco A que me empreste outros 8.000€ para comprar mais ações, desde que dê como colateral as minhas ações da XYZ. Um LTV de 80%.

Assim fico com 18.000€ de ações da XYZ.


O banco recebe um juro de 10% por esse dinheiro emprestado, claro, mas se a ação subir uns 20% nesse ano, fico com o seguinte:


10.000€ * 20% = 2.000€

+

8.000€ * 20% = 1.600€

-

8.000€ * 10% = 800€


Apenas 2.000€ de ganho se não usar crédito, mas 2.800€ se usar crédito!

A rentabilidade passa de 20% para 28% sobre o capital investido.


Tudo funciona bem, e todos ganham! A ação sobe mais, porque há mais compradores, e o banco também ganha porque faz mais negócio.


Mas... há sempre um mas...


Há medida que os anos 20 passavam, o mercado continuou a subir de forma cada vez mais vertiginosa:


As pessoas que usaram esta ferramenta de especulação no início ficaram ricas e famosas, levando a que mais pessoas se juntassem à festa.

Quem é que quereria perder estes retornos fabulosos?!


Assim, a utilização do crédito colateralizado disparou, e não apenas por indivíduos, várias empresas usaram formas de colateral com base no preço das ações, sendo uma das mais célebres e impactantes, o National City Bank.

Além Atlântico também se investia em WallStreet. Winston Churchill, por exemplo, também entrou na corrida pelos lucros rápidos.


>> A constante injeção de nova dívida com colateral era o que levava à subida de preços que, por sua vez, levava a que mais empresas e indivíduos quisessem usar mais dívida com colateral, e assim por diante. <<

Era uma espiral que não tinha por base o valor das empresas, mas sim a capacidade e possibilidade dos indivíduos e empresas continuarem a endividarem-se. Era uma bolha!


Quando essa capacidade ficou em causa, o National City Bank procurou cobrir o buraco, pois também precisava que a música continuasse.


Em 1929 já era claro que a economia americana estava a piorar, e que os preços das ações não tinham cabimento.

No entanto, foi ainda preciso esperar por novembro para que tudo descambasse.

O crash da bolsa transformou uma crise de sobreprodução, numa depressão económica por todo o país, arrastando também a europa ocidental.


É que, o crédito colateral alimenta-se a si próprio para cima, mas também para baixo!


Se as ações da XYZ descerem 20%, fico portanto com 800€ como colateral para um empréstimo de 800€. Um LTV de 100% quando deveria ser 80%.

Assim, o banco vai me obrigar a depositar mais dinheiro para cobrir (que não tenho), ou vai me obrigar a vender a minha posição.

>> Ao vender as ações, estou a contribuir para uma ainda maior descida do preço, o que me obriga a vender mais, e assim por diante. <<


Muitas poupanças de pequenos investidores foram apagadas, bem como os seus empregos!


E quanto ao mercado de ações, foi preciso esperar mais de 20 anos para voltar a novos máximos!



Portanto, crédito colateral é algo já mais que estudado, mas será que é algo que já entendemos?


Podes simular aqui os cenários de uma carteira com colateral.

E para mais profundidade do assunto: AF Começar a Investir


Obrigado e bons investimentos!


Afonso Ferreira

Fundador



Disclaimer:

Esta publicação tem caráter meramente informativo e não constitui uma proposta, recomendação ou aconselhamento financeiro. As informações aqui apresentadas não devem ser tomadas como base única para decisões de investimento. Investimentos envolvem riscos, podendo resultar em perdas.



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