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Não invistas em PE sem antes ler isto!

Sep 6
5 min read

Updated: Sep 13

Falei na semana passada de Private Equity (PE), nomeadamente sobre o histórico dos últimos 20 anos que é muito mais rentável que ETF do S&P500, da facilidade que hoje é aceder a este mercado, e os riscos e contradições que a retórica da "democratização de PE" acarreta.


Ainda assim, a minha intenção não é desincentivar-te a investir em PE, mas sim a fazer-te despertar uma curiosidade racional.

Acredito que assim vais pensar antes de tomares uma decisão de investir ou não.


Já hoje, vamos falar de 2 portas para este mercado, acessíveis a qualquer investidor, analisando como funciona, o possível retorno, e riscos associados.


1ª porta - Bancos Fintech


Revolut e TradeRepublic, duas empresas europeias que funcionam como um banco, mas, diria eu, adaptado aos dias de hoje.

Para além de servirem para receber o ordenado, fazer compras, débitos diretos (como um banco), também fazem de corretora, dando a possibilidade de investir no mercado de ações, obrigações, MMF, e Private Equity.


Estas empresas têm ainda referral programs para novos clientes.

Caso queiras aproveitar o bónus, deixos os links associados:


Na oferta de PE, tanto a Revolut como a TradeRepublic funcionam à base de grandes fundos de investimento líderes do setor (ELTIF).


À data que escrevo este artigo, a Revolut disponibiliza os seguintes ELTIF:

  • Hamilton Lane

  • Partners Group

  • Apollo


Já a Trade Republic:

  • Apollo

  • EQT


Como funciona?

Tal como um fundo de investimento tradicional, um ETF, ou ação, basta escolheres aquele que consideras o que se enquadra melhor aos teus objetivos, e clicar em "comprar".


No entanto, a grande diferença vem a seguir.


É que estes fundos de PE são mais ilíquidos, ou seja, ao contrário de uma ação ou ETF, não vais conseguir vender sempre que te apetecer. Para além disso o preço do teu investimento não vai ser atualizado ao segundo, mas sim, a cada mês (ou mais).


Dado que estes fundos investem em empresas privadas (que não estão no mercado de ações público), a gestora do fundo tem de estimar por ela própria o valor que considera apropriado para cada uma dessas empresas, algo que não é possível fazer a cada hora.


E quando é que podes vender?

Num investimento em PE tradicional, só conseguias vender num evento (irei aprofundar adiante). Mas, para tornar o investimento mais atrativo, a Revolut e a TradeRepublic possibilitam a venda do investimento a cada mês (podem haver excessões) desde que haja alguém que o queira comprar para te substituir.


Este mecanismo é muito interessante, dado que torna o teu investimento semi-líquido. Só não te esqueças que ainda está bem longe de ser como um ETF. Se na rede de investidores da Revolut ou da TradeRepublic houver muitos a vender e poucos a comprar, podes não conseguir vender durante algum tempo!


Qual o retorno e risco associado?


Aqui é que pessoalmente fico desiludido... o retorno líquido esperado desdes grandes fundos é ambiguo. Simplesmente não há informação suficiente para estimar, forçando-nos a guiar pelas "estimativas" e "retorno-alvo".


Por exemplo o retorno-alvo que a TradeRepublic enuncia para os seus fundos é de 12-15% líquidos. (Promarketer)

O que honestamente parece me muito otimista dado 2 pontos:

  • O retorno-alvo de outros ELTIF como o do JP Morgan, por exemplo, é de 7-8% líquido. (JPMorgan ELTIFs - Multi-Alternatives Fund (JMAF))

  • As comissões são absurdas, ~2-3% de comissão de gestão mais comissão de performance (12,5% é a média do setor), o que dá um custo entre 4-7% anual sobre a tua posição, que obviamente prejudica o retorno líquido (Value and Oportunitie)


Já a Revolut não se compromete com nenhuma percentagem, o que a mim mostra que estão a ser cautelosos.


Diria assim que, também para ser cauteloso, espero destes fundos um retorno não mais que 7-8% anual.


Já o risco é, como já vimos, a liquidez reduzida, a falta de transparência gritante, e, apesar de ser um mercado "especial", também não foge ao risco de perda de capital.


2ª porta - Crowdfunding


Dado que a maior parte dos investimentos em Private Equity requisitam montantes elevados de capital, o Crowdfunding é uma forma democrática (esta sim) dos pequenos investidores acederem a negócios desta envergadura.


Como funciona?


Aqui, utilizas uma plataforma regulada para investires diretamente numa empresa, não é um fundo de investimento.


Para fazer isto eu utilizo 2 plataformas:

  • Crowdcube, plataforma europeia de Crowdfunding (infelizmente não tem bónus de abertura de conta, mas acho que vale a pena dado a diversidade de empresas que podes investir)

  • Goparity, plataforma também europeia, e de fundador português, de Crowdlending (que com este link Goparity tens um bónus de 20€ na abertura de conta)


Atenção que são dois mercados diferentes, na Crowdcube, adquires ações, enquanto na Goparity adquires apenas dívida (pelo menos por enquanto).


Para a questão da dívida privada, falaremos em detalhe num próximo artigo, por agora vamos focar-nos em equity/ações.


Só consegues adquirir ações num evento de aumento de capital. Quando a Crowdcube disponibiliza um novo investimento significa que a empresa está à procura de novo capital. Neste evento, de tempo limitado, há à partida um limite de capital que a empresa pode aceitar, e apenas dentro desse intervalo é que consegues investir.


Já para venderes, é também necessário um evento, seja de novo aumento de capital, em que podes vender a outros investidores interessados, seja de uma aquisição (em que vendes as ações à empresa que está a adquirir) ou ainda por IPO, se a empresa decidir entrar em bolsa, e assim vendes no mercado como uma ação normal.


Qual o retorno e risco associado?


Como podes constatar, a necessidade de "eventos" para poderes mexer na tua posição, quer dizer que a liquidez é reduzida. Isto é claramente um risco!


É também um risco seres forçado a vender numa situação de aquisição por outra empresa, talvez em termos que não preferias à partida.


Para além disso, e em comparação com os ELTIF, só investes numa empresa de cada vez (e não num fundo de investimento com várias empresas), pelo que tens de início um risco de concentração.


Por fim, as comissões também são relevantes. A Crowdcube, por exemplo, cobre 2,49% sobre o valor que investes, e pode cobrar 5% sobre o lucro que tiveres quando vendes. (Crowdcube fees) É menor que os ELTIF mas não deixa de ser mais elevado que adquirir uma ação da bolsa.


O retorno médio da Crowdcube, segundo a mesma, é de 13,27% anualizado (Crowdcube return), mas que novamente, como parece padrão na indústria, entra em contraste com o retorno de 8,8% estimado por um estudo académico independente (Signori & Vismara).


Por ser médio, implica um variado conjunto de empresas que angariaram capital pela plataforma, e não o retorno esperado de uma só empresa! Esse tem grande probabilidade de ser muito alto, ou muito baixo.

Outro estudo mostra que 50% das startup (empresas muito comuns em PE) falham nos primeiros 3 anos, e que 1 em cada 10 sobrevive além de 10 anos (Crowdsourcing Week).


Ou seja, uma só empresa pode ser responsável por mais de metade do retorno médio positivo de um periodo, porque cresceu muito, enquanto que todas as outras ficaram na mesma, ou faliram.


Será que consegues acertar nessa única empresa?

Há um risco sério!


Conclusão


Não é por ser novo e brilhante que temos de comprar, pois também não é evidencia de ser bom!

Para mim é claro que os ELTIF são um esquema... o risco/retorno simplesmente não é competitivo face ao ETF do S&P500, por exemplo.


Já o Crowdfunding e Crowdlending, vejo como um investimento alternativo, que pode fazer sentido ter no portfólio (eu tenho de ambos) mas em quantidades moderadas.

Se quiseres podes usar a minha ferramenta gratuita de Alocação de Porfólio (AF Investments | Ferramentas) para simulares a alocação que considerares ideal.


Dei-te as ferramentas, os conceitos, e as minhas opiniões sobre Private Equity.

Cabe agora a ti decidir.


E se ainda indeciso. Fala com o AF Investments! ;)


Obrigado e bons investimentos!


Afonso Ferreira

Fundador



Disclaimer:

Esta publicação tem caráter meramente informativo e não constitui uma proposta, recomendação ou aconselhamento financeiro. As informações aqui apresentadas não devem ser tomadas como base única para decisões de investimento. Investimentos envolvem riscos, podendo resultar em perdas.

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