Ser proprietário compensa, e muito!
Caro leitor,
É bem sabido que os preços das casas em Portugal subiram de forma vertiginosa nos últimos 10 anos. Entre 2014 e 2024 subiram 135.2%, mais que duplicaram (o Contador INE).
Ser proprietário compensa, e muito!
Mas se ainda não tens propriedade, deverás perguntar-te se os preços continuarão a subir daqui para a frente, e se sim, tomarás a tua decisão de acordo!
Ora neste artigo defendo que os preços continuarão a subir, não só devido à falta de oferta e à muita procura, mas principalmente devida à mecânica estrutural no nosso sistema económico e social.
Essa mecânica é nem mais que a taxa de crescimento do capital ser superior à taxa de crescimento da economia.
Os salários, por sua vez, estão colados ao crescimento da economia, sendo o seu crescimento também por isso inferior ao crescimento do capital.
Já agora, propriedade é uma forma de capital.
Ora mas porque é que o capital tem uma maior taxa de crescimento?
5 razões estruturais:
O capital "exige" um prémio de risco e de escassez,
o mercado remunera de forma não correlacionada com a economia o risco de investir, e há sempre mais gente disposta a trabalhar do que capital disponível para investir, o que coloca o prémio de ter capital sempre bem alto.
O crescimento do PIB é limitado, o do capital não,
o crescimento do PIB depende essencialmente de mais população e maior produtividade, já o capital pode ser fácilmente reinvestido, beneficiando do efeito composto, que matematicamente tende para o infinito.
Efeito de escala — quem já tem mais capital, consegue melhores retornos,
mais capital dá-te acesso a produtos financeiros mais rentáveis, a diluir custos, e a aumentar a diversificação. Tudo isto impulsiona a taxa de crescimento do capital.
Os lucros das empresas tendem a crescer mais que os salários,
O capital, em forma de ações, está diretamente ligado aos lucros das empresas. Num contexto de globalização em que uma empresa pode mudar facilmente as suas instalações para um lugar onde pague menos impostos e menores salários aos trabalhadores, impulsiona de forma estrutural o retorno sobre o capital, em detrimento de uma estagnação salarial.
E por fim,
No caso específico do imobiliário,
A escassez de solo urbano bem localizado. Ao contrário de outros bens, não se pode "produzir mais" centro de Lisboa ou do Porto. A população + rendimento + crédito disponível + investimento estrangeiro crescem muito mais do que a oferta.
É devido a estes fatores que ao longo da história o capital tem dominado a economia, prevalecendo e agravando as desigualdades económicas e sociais.
MAS, houve um breve momento em que não foi assim!
Entre 1914-1980, um período marcado por 2 guerras mundiais, destruição de capital (fábricas, casas, hiperinflação) e políticas fiscais fortemente redistributivas (imposto progressivo, nacionalizações), pela primeira vez na história, o capital cresceu menos que a economia!
Mesmo após as guerras, quando as economias europeias voltaram ao "normal" funcionamento, o capital também voltou a obter grandes rentabilidades, mas apenas brutas, já que a rentabilidade líquida, que inclui o efeito de imposto, continuava a ser reduzida.
Ora assim sendo, a não ser que os países desenvolvidos voltem a tributar os patrimónios de forma progressiva como nos anos 50, ou que entrem em guerra, considero improvável uma redução das rentabilidades dos ativos em geral, e mais concretamente, do valor dos imóveis em Portugal (e na Europa).
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Afonso Ferreira
Fundador
Disclaimer:
Esta publicação tem caráter meramente informativo e não constitui uma proposta, recomendação ou aconselhamento financeiro. As informações aqui apresentadas não devem ser tomadas como base única para decisões de investimento. Investimentos envolvem riscos, podendo resultar em perdas.



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