Private Equity - a ilusão da "democratização" das Finanças!
Private Equity (PE), ou em português, participações em empresas privadas era o único grande mercado de ações de empresas fechado ao retalho, estando apenas disponível a certos fundos de pensões, family offices, e outras estruturas institucionais.
Coincidia também ser o mercado mais rentável dos últimos 20 anos, com uma outperformance sobre o S&P 500 de 3,8% anualizado (entre 1994 e 2024).
Em números concretos, para um investimento de 10.000€ em 1994, o mercado de private equity daria + 11.084€ de retorno que o S&P 500 até 2024.
Private Equity foi, portanto, muito rentável, mas inacessível ao investidor comum.
Ora, mas desde 2024/2025 que este mercado está a mudar.
As instituições regulatórias de private equity estão no processo de permitir a que qualquer um possa investir neste mercado, antes inacessível, com o pretexto de "democratizar as finanças"!
E a princípio parece fantástico.
Agora, qualquer pessoa, mesmo que tenha pouco capital, pode investir no mercado que rendeu mais que qualquer outro.
Só que... na verdade, esta não é a história toda...
Há dois dados determinantes que explicam melhor esta "abertura" ao mercado de private equity do que a "democratização":
Os fundos de investimento de private equity têm muito a ganhar -
- os fundos "evergreen" (o tipo de veículo desenhado especificamente para dar acesso a pequenos investidores/retalho ao mercado de private equity) tiveram um retorno mediano anualizado de apenas 11,31% entre 2023-2025, menos de metade do S&P 500 no mesmo período (22,48%), e cobrando, ainda por cima, comissões médias de 3,76%, muito acima de um ETF tradicional. (PE Stakeholder Project)
O private equity está a sofrer uma quebra sustentada de angariação de fundos -
- ao mesmo tempo que os investidores de retalho entram no mercado, os investidores institucionais saiem (devido à falta de IPOs e outros eventos de saída de capital). Não é pela democratização, mas sim pela necessidade que este mercado está a abrir! (S&P Global Market Intelligence)
Parece-me claro que, a democratização das finanças não está a progredir com a abertura do mercado de private equity, pois esta abertura só existe para beneficiar a indústria de gestão de ativos e empresas que precisam de liquidez e que muito provavelmente não irão remunerar o pequeno investidor na proporção do risco que acarretam.
Já os melhores negócios de private equity, continuam reservados aos mesmos de sempre.
Assim, caro investidor, pessoalmente não estou convencido a investir em fundos de private equity. São opacos, com altas comissões, têm maior risco, e prometem retornos que os dados desmentem.
Isto não quer dizer que seja tudo "mau" em private equity, mas é talvez raro encontrar a empresa/fundo que realmente compense.
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Obrigado e bons investimentos!
Afonso Ferreira
Fundador
Disclaimer:
Esta publicação tem caráter meramente informativo e não constitui uma proposta, recomendação ou aconselhamento financeiro. As informações aqui apresentadas não devem ser tomadas como base única para decisões de investimento. Investimentos envolvem riscos, podendo resultar em perdas.



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